terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Fazendo minha vida -11- cumprimentando o desconhecido 1 [FIM]

                                                  

   Eu não tenho muita sorte, mas pelo menos eu continuo aqui. Acordei de manhã, no outro dia. Cheia de aparelhos em minha volta, e graças a Deus, eu não estava respirando por máquinas. Ainda sentia uma leve dor de cabeça.
'' Guilherme...'' Acordei, falando seu nome.
  Eu escultei passos de corrida vindo até mim.
'' Bler, você acordou! Que ótimo! ''
'' Mãe?'' Falei.
'' È... O Guilherme passou a noite toda acordado, ele foi almoçar, e Ruan também. Eles foram pegar seu almoço...''
'' Ah...'' Murmurei .
'' Que bom te ver, mãe.'' Continuei.
'' Minha filha, eu estava tão preocupada! Rezei muito, muito mesmo.''
'' Eu sei mãe...'' Passei a mão em seu rosto.
'' Obrigada...'' Continuei.
 Eu me senti meio mole, e notei que nem a Amanda, Gabi ou Duda estavam lá.
'' Cadê as garotas?'' Perguntei.
'' Elas também passaram a noite acordadas. Mas, elas não aguentaram e foram dormir, saíram agora a pouco.'' Falou minha mãe.
'' Puxa. Quero ligar para agradecer...''
'' Depois , filha. Elas devem estar dormindo.''
'' È...'' Falei.
'' Eu sei que não deveria ter te contado, mas o Guilherme chorou a noite toda pegando em sua mão.''
 Me espantei.
'' Mais o Guilherme não me ama, mãe.''
'' È o que você pensa, filha.''
'' E o Ruan?'' Perguntei.
'' Ele te observou a noite toda, e dormiu em seus braços, nessa cadeira ao lado. Também chorou muito. Você teve uma hemorragia séria demais, filha. Está na UTI. Mas acalme-se, vai ficar tudo bem.''
'' Eu estou sentindo muita dor...''
'' Eu sei, filha. Acalme-se.''
'' Cheguei , desculpe a demora. Eu exigi que o cara fizesse outro frango, por que aquele estava muito mal passado e a salada estava preta e...''
  Guilherme ficou parado olhando para mim .
'' Oi..'' Falei com a voz mais triste do mundo.
 Ele abriu um sorriso e colocou a comida na mesa.
'' Você sabe onde está o Ruan?'' Minha mãe perguntou.
 '' Ele foi comprar os remédios.'' Falou Guilherme.
'' Ah ta. Bem, acho que tenho que ir ali...''
 Falou minha mãe, que piscou para mim. Quando ela bateu a porta, eu abri um sorriso.
'' Você é tão linda quando sorri.''  Ele falou.
 Eu não respondi, continuei sorrindo.
'' Bler...''
 Ele falou, sentando-se na cadeira do meu lado, se aproximando de mim.
'' Você tem ideia do medo que me deu ontem?''
'' Tenho...'' Respondi.
 Ele pegou minha mão.
'' Eu fui muito ciumento... Não acreditei em você. Mas pensava em você o tempo inteiro.''
 De repente eu fiquei confusa. O Guilherme gostava de mim. O Ruan era meu namorado. E eu gostava do Guilherme ou do Ruan? De algo eu tinha certeza. Quando falava com Guilherme me lembrava do Ruan, e quando beijava o Ruan me lembrava do Guilherme.
 Preferi não responder. E abri um sorriso meio falso, para ele achar que estou contente por isso. Eu estou mesmo.
 '' Cheguei dona....'' Entrou Ruan na sala, que queria falar com minha mãe.
'' Bler! '' Ele largou os remédios em um sofá e correu até mim.
'' Você está bem?''  Perguntou.
 Guilherme se afastou mais.
'' Sim...'' Afirmei.
'' Ruan, preciso falar com você.''
 Ruan fez sinal para Guilherme sair da porta.
'' Tá bem né. Mas eu também vou aproveitar ela, viu ?'' Falou Guilherme rindo, saindo da sala.
 '' Ruan...''
'' Sim, princesa?''
'' Eu tenho que ser honesta com você.'' Falei, pegando em seu rosto.
 Ele fez uma cara descontente.
'' Eu não sei de quem eu gosto mais...'' Disse.
 Ruan sorriu.
'' Eu sei.'' Ele falou, oque me deixou espantada.
'' Você gosta mais do Guilherme.'' Ele falou, diminuindo o sorriso.
'' Eu já esperava por isso.'' Continuou.
'' Oque? Como?'' Perguntei.
'' Você passou a noite falando, desacordada.''
'' Oque?"' Me espantei.
'' Você ficava falando : Guilherme, eu te amo... Guilherme, eu te amo...''
 Ah não, eu estraguei tudo... Comecei a chorar.
'' Desculpa, eu...'' Ruan me interrompeu.
'' Sua felicidade é com o Guilherme. Não é ?''
 Fiz que sim com a cabeça. Ele me olhou torto.
'' Mais eu amo você também...'' Disse.
'' Não, Bler. Eu sou apenas seu melhor amigo.''
 Me espantei.
'' Você tem história com ele. Você o ama. Ele se sacrificou por você, vocês eram felizes, até eu surgir e acabar com tudo. Ontem ele passou a noite chorando, pegando sua mão. Então eu percebi o estrago que eu fiz. Eu fui muito, muito egoísta.''
 Sorri.
'' Posso gostar de você. Mas não acho que nós combinamos.'' Falou ele.
'' Então, amigos?'' Continuou, estendendo a mão na minha.
 Abri um enorme sorriso.
'' Amigos! '' Peguei na mão dele, e dei um beijo em sua bochecha .
 '' Agora, posso chamá-lo para vocês se arranjarem?''
'' Não, ainda não. Fique. Eu quero voltar com ele quando estiver fora destas máquinas. Para poder abraçá-lo...''
'' Entendo.'' Ele falou, sorrindo.
 '' Pode entrar manolo! '' Gritou Ruan, oque fez eu rir um pouco, pelo jeito que ele falou.
''Vocês se deram bem?''
'' Sim.'' Ruan afirmou.
'' Valeu, cara! '' Entrou Guilherme pela porta, com rosas brancas.
'' Minha vez...'' Ele falou, vindo até mim.
 Ruan saiu de fininho. Fiz sinal para ele ficar, mas ele foi mesmo assim.
'' Como vai minha princesa?''
 Deixei escapar um riso.
'' Trouxe isso pra você.''
 E me deu umas rosas vermelhas.
'' Vermelho significa o meu amor que tenho por ti, a cor do sangue, do coração humano. Vermelho pra mim é essencial quanto uma pétala branca simbolizando a paz. O vermelho foi , e é oque nos mante vivos e  juntos... A cor do órgão mais importante, o coração.'' [ cumprimentando o desconhecido #4 ]
 Acho que deixei escapar uma lágrima. Por que, são as mesmas rosas, e as mesmas palavras que ele me disse quando me deu a outra rosa vermelha. Quando eu ia agradecer, a enfermeira entrou.
'' Por favor, com licença. Vamos retirar o equipamento. Você está bem, moça!''
 Sorri e esperei. Dez minutos para tirar os equipamentos.
 Vesti minha calça, minha blusa de manga e meu all-star que minha mãe trouxe. E corri para falar com Guilherme. Ruan saiu de novo, dessa vez fazendo um sinal '' vai em frente ''
'' Guilherme...'' 
'' Sh.'' Ele falou, colocando o dedo em meu lábio. Senti minha mão tremer.
'' Perdi muito tempo, sem você.'' Continuou.
'' Eu também.'' Falei, sorrindo.
'' Me desculpa por tudo.'' Falei.
'' Pelo oque?...'' Ele sussurrou , e senti seus lábios tocarem os meus.
'' Por...Por..'' Gaguejei.
 Ele riu.
'' Por nada...'' Terminei, ainda sussurrando.
 Ele riu um pouco mais.
'' Não vai me beijar?'' Sussurrei.
 Ele agarrou minha cintura e me deu um beijo, que demorou pouco mais de trinta segundos, foi tão lindo. Quando ele me beijou, percebi que fiz o maior erro em não querer mais ele. Por que ele era o garoto da minha vida.
'' Ruan é um cara gente fina.'' Ele falou.
'' Finíssima.'' Completei.
 Fixei meus olhos em seus olhos azuis, ainda meio sem noção, continuei falando.
'' Você... È tão lindo.''
 Ele riu.
'' Eu sei. Você também.''
 Saí do meu encanto.
'' Hahaha, nem se acha...'' Falei, tirando onda.
'' Tem que ser né! Um cara tão lindo desses...''
'' Para! '' Falei , dando um empurrãozinho.
'' Você também tem sorte.'' Brinquei.
'' Eu sei, ah, como eu sei.'' 
 Ele chegou mais perto.
'' Por que eu fui tão idiota?"'
'' você não é idiota. ''
 Ele tocou seus lábios nos meus, novamente, sussurrando.                                          
'' Sou sim  . Um completo idiota.''
 Senti meu corpo tremer.
'' Não é não. Um idiota não morreria por mim.''
 Ele soutou um risinho.
'' Eu te amo, Bler.''
'' Eu também. Mais que tudo...''
 E ele me beijou,novamente.




[ Cumprimentando o desconhecido parte 1 - Final.]

Terá fazendo minha vida cumprimentando o desconhecido parte 2, onde eles estarão mais velhos, e mais maduros. Onde terá acontecimentos incríveis.
 FIM.



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