segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Fazendo minha vida 10 -continuação-

                                               
                                                 


 Eu acordei chorando. A sensação é super ruim, eu sonhei tantas coisas... Nos conhecemos em apenas uma semana e dois dias, e já estávamos nos amando mais do que um casal duradouro. Ele mexia comigo, e no momento que seus lábios se encontrava com os meus, eu me sentia a pessoa mais feliz do mundo, ao ponto de acreditar que ele era minha alma gêmea, mas em menos de 48 horas, ele poderia ser perdido, para sempre. Ele sempre viverá em meu coração, mas o físico também é muito importante para mim. Não sei o que acontecerá se ele não aguentar, mas o fato de um milagre acontecer, é o que me preocupa, o milagre.
 O milagre é uma palavra tão tenebrosa para mim. O milagre é a pior coisa que eu quero ouvir, em situações como esta. O amor da minha vida só acordará com um milagre.
 A minha seguinte conclusão é que eu estarei com ele até os seus últimos dias de vida, se eu não morrer antes, se eu aguentar o ver nesta situação, por minha culpa.
 De repente passou um filme em minha cabeça, dos nossos lindos momentos. Quarta feira, quando ele me levou para o cinema, e todos jogaram pipoca na gente, para dar ''sorte'' no amor. Quinta feira, quando ele me levou para um parque muito grande, e nós ficamos lá, abraçados, junto com um grande e lindo piquenique, ao por do sol. Fui o conhecendo, e cada vez mais me dava certeza de que ele era perfeito. Sexta feira, quando ele estava tomando sorvete comigo, e eu de brincadeira com o dedo passei um pouco de sorvete em seu nariz, e ele retribuiu, em todos os lugares do meu braço, rosto, e vestido, estava o sorvete. E então ele me deu um forte abraço, e me levou ao alto... E sexta, quando tive a certeza de que era ele o cara certo, quando me fez a homenagem mais linda do mundo. Aqueles sorrisos brancos, o cavalheiro que me ofereceu uma casa quando eu não tinha, a simpatia em pessoa, a educação ao extremo. E aquele garoto estava em risco de vida, por minha culpa. Eu podia ter o aproveitado mais, se o nosso destino fosse isto...
 E desta vez , ao despertar dos devaneios não saí correndo que nem uma louca. Fiquei com os olhos abertos por um tempo, e tinha se passado o primeiro dia útil. Eu esperava que ele tivesse acordado, mas pelo visto eu teria de esperar a minha mãe chegar, para ter a informação. Eu não conseguia gritar por ninguém, a não ser o meu coração, gritar por dentro este amor inexplicável. Ao notar que minha mãe estava no quarto, a quase uma distância incomparável. Ela estava no cantinho do quarto, dormindo no pufe, que nem um anjinho. Senti pena dela neste momento, eu não podia fazer ela sofrer.
'' Mãe...'' Murmurei .
Ela não ouviu.
'' Mãe! ''
Finalmente , acordou.
'' Filha, você está bem? '' Correu em direção a mim.
'' Mãe, eu estou bem. O guilherme acordou?''
Minha mãe fez um expressão muito triste, eu já sabia a resposta.
'' Não, filha. Tenha calma, daqui a pouco teremos a última chance do milagre, e temos que acreditar muito, rezar muito para ele acordar. ''
Ao notar que não vinha luz da janela, espantei-me.
'' Que horas são?''
''Filha, você dormiu quase um dia. É normal, o médico aplicou um calmante em seu sangue, e este calmante dá muito sono. Ele disse que você dormiria mais do que o normal. Ele me informou que você estava com sintomas depressivos, e te deu outro remédio. Que por sinal também da sono, é contra reações depressivas, como loucuras, muito espanto e medo. Ou até possível, suicídio...''
Eu me espantei de verdade naquele momento, mas não senti a expressão. O remédio realmente garantia o prometido, eu estava realmente temporariamente nostalgiada.
 Era 6 da noite, faltavam 6 horas para a última tentativa do amor da minha vida acordar. Que remédio!
'' Mãe, quero que me entenda. Preciso aproveitar o Guilherme enquanto tenho tempo. ''
'' Filha não seja tão negativa. ''
'' Não estou sendo negativa, mas se o milagre não der certo mãe, vou me arrepender por não ter ficado este tempo ao lado dele. ''
'' Então tudo bem. Vou chamar o médico. ''
'' Muito obrigada, mãe.''
 O médico chegou e me liberou, retirou o soro e aqueles fios que na noite antepassada me prenderam á maca. Eu corri em direção ao quarto dele, e o choro desceu.
'' Guilherme! Eu estou aqui com você ! Desculpe demorar... Eu desmaiei ontem, e deu no que deu. Mas saiba que eu estou com você para sempre, e sempre! Por favor, aperte minha mão...''
Eu esperei, esperei, mas nada. Ele não apertou minha mão.
'' Gui, por favor aperte minha mão...''
Percebi a força que ele estava fazendo, e conseguiu apertar de levinho minha mão. Fiquei mais feliz, mas para dizer se eu estava mesmo feliz, eu não estava. Eu estava no -100 e acho que voltei a estaca zero. A presença dele junto de mim, junto com o amor no ar, eu fico mais feliz, mas não quer dizer que eu esteja. A cada momento eu sentia mais peso na minha consciência
'' Guilherme, eu te amo, viu ? Eu vou estar com você. E acredito que você irá fazer muita força antes da meia noite, você vai conseguir acordar! Estou aqui com você, pro que der e vier, eu acredito em você!''
Senti minha mão ser apertada, só que mais forte. De repente os médicos entraram, e me mandaram sair. Eu implorei, mas eles disseram que era para o bem do Guilherme. Eu tive que concordar.
 Eu esperei 4 horas, já eram onze horas quando o liberaram. Eu corri para a sala e comecei a conversar com ele. Eu ri, contei nossas comédias. Da pipoca, do sorvete, e de sua linda homenagem. Eu estava conversando com ele, e sentia suas respostas a cada apertar de sua mão contra a minha. O amor era tão forte...
Quando me deparei já era 11:40... A operação de revivência já iria começar, e eu tive que me desaproximar mais dele. Os médicos pegaram o aparelho de choque , e eu fechei os olhos. Eu estava tão tensa que me forçaram a sair...
 Os médicos saíram, e eu os perguntei se ele já estava bem. O médico ficou parado, sem sinalização. O Guilherme estava morto.

Fazendo minha vida 9 -continuação-





 Acordei com umas vozes vindo de longe : '' Bler.. Bler... '' '' Acorda... Acorda... '' Eu ainda estava retardada, estava ouvindo a voz do Guilherme, dei um sorriso com os olhos fechados , e falei... '' Guilherme, você está vivo...''
 Então minha retardação passou, quando eu ouvi alguma coisa do tipo : '' Não Bler, blábláblá sou blábláblá sua mãe '' Eu abri os olhos com força e dei um pulo enquanto me levantava. Só que não por inteiro, quando percebi estava quase coberta por fios, e estava tomando soro. Eu não entendia oque estava acontecendo, logo depois caiu a ficha, e eu me lembrei que eu desmaiei JUNTO com ele.
 '' Mãe, pelo amor de Deus, eu não preciso de soro... Eu preciso ver o Guilherme!'' '' Me deixe sair, por favor mãe, me deixe sair! '' '' Eu preciso vê-lo ! ''
'' Filha... '' Ela olhou para mim com uma expressão de acabamento. Eu levantei a sobrancelha e fiquei calada.
'' Preciso que esculte com atenção, e não cometa loucuras, precisa entender oque vou lhe dizer. ''
A minha atenção já estava totalmente voltada para ela.
'' O Guilherme.. Bem, ele não acordou... Sinto muito. '' Senti um gelo no coração, meu mundo desmoronou, eu já tinha previsto isto quando acordei, pela sua expressão...
'' Não! Não pode ser! Ele não pode ter se sacrificado por uma pateta como eu! Não, eu não posso ter acabado com a vida desse menino por uma flor, ai meu deus eu não acredito! Não, Não!!!!!''
Eu gritei tanto, morri de chorar, que até o médico veio correndo , em seguida todos os enfermeiros que estavam livres no setor, vieram saber oque tinha acontecido... O choro desceu até demais, e senti uma fisgada no coração, e uma leve tontura. Aquilo não podia estar acontecendo, eu tinha de tomar uma providência. Quando minha mãe se virou para falar com o médico, eu rapidamente tirei todos os fios que estavam agulhados em meu corpo, sangrou, mas eu não liguei. Eu saí correndo , que nem uma louca pelo hospital, e eu nem sabia a sala que ele tava. Fui olhando de janela e janela, e ao ver que minha mãe e o médico, seguido dos enfermeiros estavam correndo em minha direção, entrei na primeira porta ( que eu ainda não tinha olhado ) E tranquei-a. Eu tinha planejado sair pela janela ( é claro que, destrancar antes e dar uma de ninja, para o paciente não ser prejudicado) Mas ao ver aquele rostinho, aqueles olhos fechados, eu comecei a ficar tonta de novo, era ele. Retardamente, andei em sua direção, e comecei a falar.
'' Guilherme! Ó meu deus que conhecidência... Eu te encontrei...''
Ao olhar o computador, cheguei a seguinte conclusão. Ele estava vivo, só que ele estava em coma. Eu devia realmente ter escultado minha mãe por completo, se não eu não sairia que nem uma louca atrás dele, mas claro que eu iria vê-lo , pois a única coisa que eu mais queria naquele momento era estar perto dele.
'' Gui, se estiver me ouvindo... Eu peço desculpas, por tudo. Eu te amo mais doque o universo interplanetário,  você é o sol do meu dia, e estar com você só me faz admirá-lo mais ainda. ''
'' Eu te amo muito, muito... ''
E então, a menos que eu perceba, desceu um tufão de água do meu olho. ( formalmente, oque eu chamo de choro dramaticamente dramático) Meu mundo caiu. Mas , ao menos ele está vivo... E ele vai continuar vivo.
Percebi uns papéis, e , ignorando os gritos da minha mãe dizendo '' vou arrombar! '' , li a ficha do Guilherme. E estava exatamente, assim:
Guilherme santos
Situação : Em risco de vida, em coma.
Conclusão para os próximos dias : Existe um possível milagre de Guilherme acordar no próximo, e no outro dia do próximo. ( dois dias. ) Caso isto não aconteça, ao bater da meia noite do segundo dia, Guilherme estará morto.
                           Sentimos   muito    por Guilherme Santos. Mas temos que ser francos,
 Grato, Dr. Flávio Lacerda.
 Eu comecei a chorar muito, muito, deitei minha cabeça de leve em seus braços, e comecei a falar novamente tudo, tudo...
'' Da primeira vez que te vi, estava sobre um mar de rosas... Da primeira vez que te vi, tudo era estranho e escuro. Entrei completamente no mundo desconhecido, chegando ao seu destino, chamado amor a primeira vista...''
Segurei a mão dele, e comecei a chorar. Percebi que ele apertou minha mão.
'' Gui você me compreende?! '' '' Se sim, aperte minha mão mais uma vez...''
Ele apertou.
Eu fiquei em choque, não disse nada. Percebi uma tontura e tudo ficou escuro, mais uma vez, eu percebi que estava tonta por que estava fazendo força no estômago e nos intestinos de tanto chorar, e correr. Mas eu não tinha um alimento dentro de mim, só soro. Corri enquanto deu tempo para abrir a porta, destranquei a chave, e na mesma hora desmaiei novamente.