Eu acordei chorando. A sensação é super ruim, eu sonhei tantas coisas... Nos conhecemos em apenas uma semana e dois dias, e já estávamos nos amando mais do que um casal duradouro. Ele mexia comigo, e no momento que seus lábios se encontrava com os meus, eu me sentia a pessoa mais feliz do mundo, ao ponto de acreditar que ele era minha alma gêmea, mas em menos de 48 horas, ele poderia ser perdido, para sempre. Ele sempre viverá em meu coração, mas o físico também é muito importante para mim. Não sei o que acontecerá se ele não aguentar, mas o fato de um milagre acontecer, é o que me preocupa, o milagre.
O milagre é uma palavra tão tenebrosa para mim. O milagre é a pior coisa que eu quero ouvir, em situações como esta. O amor da minha vida só acordará com um milagre.
A minha seguinte conclusão é que eu estarei com ele até os seus últimos dias de vida, se eu não morrer antes, se eu aguentar o ver nesta situação, por minha culpa.
De repente passou um filme em minha cabeça, dos nossos lindos momentos. Quarta feira, quando ele me levou para o cinema, e todos jogaram pipoca na gente, para dar ''sorte'' no amor. Quinta feira, quando ele me levou para um parque muito grande, e nós ficamos lá, abraçados, junto com um grande e lindo piquenique, ao por do sol. Fui o conhecendo, e cada vez mais me dava certeza de que ele era perfeito. Sexta feira, quando ele estava tomando sorvete comigo, e eu de brincadeira com o dedo passei um pouco de sorvete em seu nariz, e ele retribuiu, em todos os lugares do meu braço, rosto, e vestido, estava o sorvete. E então ele me deu um forte abraço, e me levou ao alto... E sexta, quando tive a certeza de que era ele o cara certo, quando me fez a homenagem mais linda do mundo. Aqueles sorrisos brancos, o cavalheiro que me ofereceu uma casa quando eu não tinha, a simpatia em pessoa, a educação ao extremo. E aquele garoto estava em risco de vida, por minha culpa. Eu podia ter o aproveitado mais, se o nosso destino fosse isto...
E desta vez , ao despertar dos devaneios não saí correndo que nem uma louca. Fiquei com os olhos abertos por um tempo, e tinha se passado o primeiro dia útil. Eu esperava que ele tivesse acordado, mas pelo visto eu teria de esperar a minha mãe chegar, para ter a informação. Eu não conseguia gritar por ninguém, a não ser o meu coração, gritar por dentro este amor inexplicável. Ao notar que minha mãe estava no quarto, a quase uma distância incomparável. Ela estava no cantinho do quarto, dormindo no pufe, que nem um anjinho. Senti pena dela neste momento, eu não podia fazer ela sofrer.
'' Mãe...'' Murmurei .
Ela não ouviu.
'' Mãe! ''
Finalmente , acordou.
'' Filha, você está bem? '' Correu em direção a mim.
'' Mãe, eu estou bem. O guilherme acordou?''
Minha mãe fez um expressão muito triste, eu já sabia a resposta.
'' Não, filha. Tenha calma, daqui a pouco teremos a última chance do milagre, e temos que acreditar muito, rezar muito para ele acordar. ''
Ao notar que não vinha luz da janela, espantei-me.
'' Que horas são?''
''Filha, você dormiu quase um dia. É normal, o médico aplicou um calmante em seu sangue, e este calmante dá muito sono. Ele disse que você dormiria mais do que o normal. Ele me informou que você estava com sintomas depressivos, e te deu outro remédio. Que por sinal também da sono, é contra reações depressivas, como loucuras, muito espanto e medo. Ou até possível, suicídio...''
Eu me espantei de verdade naquele momento, mas não senti a expressão. O remédio realmente garantia o prometido, eu estava realmente temporariamente nostalgiada.
Era 6 da noite, faltavam 6 horas para a última tentativa do amor da minha vida acordar. Que remédio!
'' Mãe, quero que me entenda. Preciso aproveitar o Guilherme enquanto tenho tempo. ''
'' Filha não seja tão negativa. ''
'' Não estou sendo negativa, mas se o milagre não der certo mãe, vou me arrepender por não ter ficado este tempo ao lado dele. ''
'' Então tudo bem. Vou chamar o médico. ''
'' Muito obrigada, mãe.''
O médico chegou e me liberou, retirou o soro e aqueles fios que na noite antepassada me prenderam á maca. Eu corri em direção ao quarto dele, e o choro desceu.
'' Guilherme! Eu estou aqui com você ! Desculpe demorar... Eu desmaiei ontem, e deu no que deu. Mas saiba que eu estou com você para sempre, e sempre! Por favor, aperte minha mão...''
Eu esperei, esperei, mas nada. Ele não apertou minha mão.
'' Gui, por favor aperte minha mão...''
Percebi a força que ele estava fazendo, e conseguiu apertar de levinho minha mão. Fiquei mais feliz, mas para dizer se eu estava mesmo feliz, eu não estava. Eu estava no -100 e acho que voltei a estaca zero. A presença dele junto de mim, junto com o amor no ar, eu fico mais feliz, mas não quer dizer que eu esteja. A cada momento eu sentia mais peso na minha consciência
'' Guilherme, eu te amo, viu ? Eu vou estar com você. E acredito que você irá fazer muita força antes da meia noite, você vai conseguir acordar! Estou aqui com você, pro que der e vier, eu acredito em você!''
Senti minha mão ser apertada, só que mais forte. De repente os médicos entraram, e me mandaram sair. Eu implorei, mas eles disseram que era para o bem do Guilherme. Eu tive que concordar.
Eu esperei 4 horas, já eram onze horas quando o liberaram. Eu corri para a sala e comecei a conversar com ele. Eu ri, contei nossas comédias. Da pipoca, do sorvete, e de sua linda homenagem. Eu estava conversando com ele, e sentia suas respostas a cada apertar de sua mão contra a minha. O amor era tão forte...
Quando me deparei já era 11:40... A operação de revivência já iria começar, e eu tive que me desaproximar mais dele. Os médicos pegaram o aparelho de choque , e eu fechei os olhos. Eu estava tão tensa que me forçaram a sair...
Os médicos saíram, e eu os perguntei se ele já estava bem. O médico ficou parado, sem sinalização. O Guilherme estava morto.
:(
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